Parece o fim
Cada vez que saio entre as luzes e os motores
Ouço ruídos das maquinas e sinto o cheiro de fumaça
A sirene toca descontrolada
o motorista manobra a maquina com precisão
Os soldados sobrevoam a cidade atrás de um só homem
Parece o fim
Muito barulho
Muito medo, insegurança.
É o fim
Medo de andar e trombar um projétil
É o inferno, o inferno moderno.
A vida não é pacata como na década de 20
Atenção é requisito para se manter em pé
Barulhos e gritos tomam conta da cidade imensa, cheia de ruídos e fuligem
Haja pneus para tantas perseguições
Haja força para tantas perdas
O cemitério está superlotado
As famílias se afogam em lágrimas
A vida passa a ser banal
O mundo se transforma num inferno
O inferno já não tem mais significado nem importância
Não há inferno para aquele que nasce na capital
Bruno Estevam
