No oitavo mundo paralelo
o martelo é pontiagudo
o prego tem cabo amarelo
as princesas são barbudas
africanos amarelos
No oitavo mundo paralelo
não existe verão
só inverno
quando chove
chove livros
ou folhas de caderno
Lá, no oitavo mundo paralelo
leite é feito de cana
vacas andam de chinelo,
lá é tudo muito estranho
as mães brincam de boneca
os filhos que as chamam para o banho
No oitavo mundo paralelo
os chinelos perdem as pessoas
e não as pessoas que perdem os chinelos
Lá, o vento é colorido
toda terra é macia
nas casas de família
os cachorros pagam as contas
os donos comem na bacia
Lá só anda na rua quem é louco
os hospícios só para quem é são
os carros trocam de donos
aviões na contra-mão
No oitavo mundo paralelo
as pessoas nascem em caixão
quando morrem, vão para a barriga
No oitavo mundo paralelo
os ponteiros não trabalham em círculo
mas na horizontal
letras compram lotes
em folhas de jornais
lá, cobertas acordam tarde
as luzes dormem com as pessoas apagadas
os sofás assistem filmes
juntinhos, no escuro, com as almofadas
No oitavo mundo paralelo
os terrenos trabalham e dizem:
''vou comprar o dono que eu quero''
Bruno Estevam
o martelo é pontiagudo
o prego tem cabo amarelo
as princesas são barbudas
africanos amarelos
No oitavo mundo paralelo
não existe verão
só inverno
quando chove
chove livros
ou folhas de caderno
Lá, no oitavo mundo paralelo
leite é feito de cana
vacas andam de chinelo,
lá é tudo muito estranho
as mães brincam de boneca
os filhos que as chamam para o banho
No oitavo mundo paralelo
os chinelos perdem as pessoas
e não as pessoas que perdem os chinelos
Lá, o vento é colorido
toda terra é macia
nas casas de família
os cachorros pagam as contas
os donos comem na bacia
Lá só anda na rua quem é louco
os hospícios só para quem é são
os carros trocam de donos
aviões na contra-mão
No oitavo mundo paralelo
as pessoas nascem em caixão
quando morrem, vão para a barriga
No oitavo mundo paralelo
os ponteiros não trabalham em círculo
mas na horizontal
letras compram lotes
em folhas de jornais
lá, cobertas acordam tarde
as luzes dormem com as pessoas apagadas
os sofás assistem filmes
juntinhos, no escuro, com as almofadas
No oitavo mundo paralelo
os terrenos trabalham e dizem:
''vou comprar o dono que eu quero''
Bruno Estevam