Sobre as relações humanas:

Nasce a intimidade, morre a cisma.


Prólogo-póstumo

Dentro desses versos
Para sempre viverei
Não importa como parti
Se a saudade chegar
E não puder me falar
leia essas minhas frases
Pois sempre estarei aqui

Bruno Estevam

A capital


Parece o fim
Cada vez que saio entre as luzes e os motores
Ouço ruídos das maquinas e sinto o cheiro de fumaça
A sirene toca descontrolada
o motorista manobra a maquina com precisão
Os soldados sobrevoam a cidade atrás de um só homem
Parece o fim
Muito barulho
Muito medo, insegurança.
É o fim
Medo de andar e trombar um projétil
É o inferno, o inferno moderno.
A vida não é pacata como na década de 20
Atenção é requisito para se manter em pé
Barulhos e gritos tomam conta da cidade imensa, cheia de ruídos e fuligem
Haja pneus para tantas perseguições
Haja força para tantas perdas
O cemitério está superlotado
As famílias se afogam em lágrimas
A vida passa a ser banal
O mundo se transforma num inferno
O inferno já não tem mais significado nem importância
Não há inferno para aquele que nasce na capital


Bruno Estevam

Poesia dos miseráveis

Existe poesia até mesmo num mendigo. O chão é sua casa, sua cama, seu trabalho e seu futuro, o céu é sua proteção, seu teto e sua paisagem. Será que um mendigo vê o céu como céu ou como teto ? Será que ele vê como uma paisagem ou como um castigo ?

Bruno Estevam

Grilo

Ouço somente o Grilo
O Grilo, que faz seu show desde muito tempo
O Grilo que está, que sempre esteve
Faça chuva, faça sol
No calor ou no vento.
Ouço esse Grilo há tempos
Companheiro fiel
De noites anteriores
O Grilo meu amigo
Sempre esteve comigo
Sempre cantando
Sempre presente
Insatisfeito, contente.
Será que é o mesmo Grilo
Grilo meu amigo
Que sempre esteve comigo
Seria ele presente?
Não sei
Teu canto é melódico
Deve estar contente.

Bruno Estevam