sem poesia

parei com as poesias
agora mato meu tempo
pelo dinheiro
de quebra
mato minhas crias
sem tempo ocioso
sem tempo parado
mato minhas fantasias

a vida 
que aos poucos esfria
vai matando minha arte
abortando minhas crias


quero meu tempo
meu conto
meus poemas
sem ponto

percebi que a vida
estava vã
estava falsa
corcunda
tal como um travesti 
de sutiã





Bruno Estevam