O mistério de Rubens


Nélia, era casada com Rubens, tinham um casamento morno, na cama juntos, só para dormir. Apesar do casamento não ter mais o encanto que tinha na juventude, Rubens nunca traiu a esposa. Rubens, homem calmo, procurava não discutir com a mulher, pois Nélia tinha um gênio terrível.  Casados há mais de 15 anos, o tempo foi passou e apagou a brasa no relacionamento do casal.

Nélia, sempre foi mais rude que o marido, tinha mania de imposição, era uma mulher extremamente brava. 
     
O bairro todo do Méier comentava que Rubens era corno, até que certo dia ele resolveu fazer algumas perguntas a sua esposa:

Rubens: O nélia, o povo ai da vila ta com uma conversa besta, cê ta sabendo ?

Nélia: Oxe, que conversa besta homem? Eu lá sou mulher de ficar de papo furado com gente desocupada, Rubens? Vá se catar!

Apesar das grosserias, Rubens acreditava no caráter da esposa.

 Rubens: Ta certa! esse povo não tem o que fazer mesmo. Vou é comer meus bolinhos que ganho mais. 

Rubens amava bolinhos de trigo, comia uma caixa por dia. Os bolinhos eram como essas rosquinhas açucaradas, as preferidas dos policiais obesos dos filmes de Hollywood. Mas era só bolinho de trigo mesmo, um simples bolinho carioca e gorduroso.

Nélia não fazia nada, mas dizia de boca cheia que era dona de casa. Rubens trabalhava de vigia noturno numa empresa de reciclagem no Flamengo. A vida de Rubens era uma rotina, chegava de manhã, comia um pacote de bolinho e ia dormir. Era de lei, chegar, comer bolinho e dormir. 

Acontece que Rubens estava começando a desconfiar de algo que considerava estranho: O sumiço de alguns bolinhos.
Durante uma semana, Rubens deixava os bolinhos contados na geladeira, chegava pela manhã e percebia que faltavam alguns bolinhos.

Certo dia Rubens chega e a caixa de bolinho estava vazia. Não hesitou em perguntar para a esposa:

- Ô nélia, o que está acontecendo com meus bolinhos? Você anda comendo? Nunca comeu desses bolinhos, pois você detesta!

- Ah Rubens, pelo amor de Deus, está contando bolinho agora? Não basta ser um mongolóide em casa, agora depois de velho vai contar bolinhos ? Esse seu serviço deve estar te deixando maluco, louco de pedra!

Por ser um homem muito calmo e compreensivo, Rubens acabava sendo convencido pelos argumentos da mulher. Era facilmente dobrado por Nélia.

Embora tenha cedido aos argumentos da mulher, Rubens ainda contava os bolinhos e ainda havia diferença nas contagens.

Certo dia  Rubens resolve sair duas horas mais cedo do trabalho, estava determinado a contar os bolinhos duas horas mais cedo.

Rubens encosta seu Passat 87 discretamente na frente de sua casa. Desce do carro e entra em silêncio em seu quintal. A porta dos fundos estava entreaberta. Ouvia uns cochichos dentro da casa. Quando entra em casa, vê uma calcinha embolada num pepino. A mesa estava completamente bagunçada. 

Rubens caminha em direção ao quarto, abre a porta devagar e se depara com Nélia, completamente nua, beijando sutilmente a barriga do amante. Rubens chuta a porta.

Amélia: Meu Deus, Rubens!???????????????????

Rubens: Cale a boca, égua!

O amante se levanta rapidamente e completamente nu, se afasta, como se fosse se preparar para pular janela. Rubens tira um revolver 38 da cintura, se aproxima do amante, e com o cano da arma apontado para a testa do homem, diz:


- Então você é o filho da puta que anda comendo meus bolinhos?






Bruno Estevam